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  • Bigorna.net: Artigos: As histórias em quadrinhos e sua facticidade quântica
    no caso visuais que por vezes passam despercebidas pela visão mas que no entanto são captadas pela visão periférica A diagramação de uma história em quadrinhos então é quântica um elétron pode se portar como onda ou corpúsculo e sua posição é probabilística nunca exata Irá depender do momentum eleito pelo pesquisador que usa sua mente para a escolha o objetivo deflagrado pelo subjetivo Nas histórias em quadrinhos cada cena cada quadrinho é parte de um todo de um sistema mas que não estando desenhado pede ao leitor para completá lo mental e intuitivamente sem que ele mesmo possa ter plena consciência disso Enquanto o olhar do leitor focaliza determinada cena as outras anteriores e posteriores à leitura estão sendo visualizadas de forma menos nítida Porém seu cérebro abarca todos os detalhes numa visualização sistêmica em que o subliminar informa também Cada quadrinho é como uma micropartícula atômica um elétron nêutron ou próton O pesquisador é o leitor que elege o momentum para decidir se a partícula aparecerá ou não A que for eleita de uma possibilidade existencial aflora como corpúsculo inundando de informação pan imagética a mente dual esquerda direita do leitor Mas se os olhos do pesquisador resolverem se afastar da cena eleita e abarcar a página inteira a partícula a cena se torna não mais material e sim uma probabilidade ondulatória junto das demais espargindo se em energia quântica A mente do leitor pesquisador irá então abarcar a possibilidade ampliada sistêmica Então quando o olhar se dirige ao objeto no caso um quadrinho dentre os outros da página é como se houvesse apenas aquele objeto dentre as possibilidades múltiplas Analogia similar retrata o filme Quem somos nós Um garoto dentro da quadra de basquete explica as possibilidades infinitas defendidas pela física quântica Em um primeiro instante enquanto

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  • Bigorna.net: Artigos: Em busca do Capitão Aza
    programa do Aza na infância entre eles Max e Sérgio Rodrigues montaram um grupo chamado Os Amigos de Ultraman e começaram a realizar sessões de vídeos caseiras exibindo velhos episódios da família Ultra para um grupo de amigos e fãs saudosistas entre eles eu O grupo crescia a cada sessão e tivemos até mesmo que alugar salas de vídeo para as exibições Porém a grande idéia desse grupo na verdade era reencontrar Wilson Vianna aquele que deu vida ao nosso herói Capitão Aza Era o ano de 1993 e decidimos então que tentaríamos localizar o Aza e olha que naquela época nem tínhamos a internet como hoje Até que descobrimos que ele possuía uma pousada em Penedo no interior do Estado do Rio de Janeiro Era a Pousada do Aza Localizamos a tal pousada e a informação que recebemos era que ele estava em viagem Vianna como Grão Mestre Maçom Grau 33 viajava muito a serviço da Maçonaria Passou algum tempo e quando voltamos novamente a tal pousada descobrimos que ele a tinha vendido Mas nada nos faria desistir de encontrar nosso ídolo de infância Determinados começamos a maior saga pra achar o Wilson Vianna até que após muitos contatos descobrimos o hotel em que ele estava hospedado em Ipanema Com a cara e a coragem telefonei para o hotel e pedi para falar com o hóspede senhor Wilson Vianna E para minha surpresa e felicidade em alguns segundos aquela inconfundível voz atendia o telefone com aquela disposição de sempre Alô pois não Nossa conversa durou bons minutos e acertamos um encontro que se deu em maio de 1998 na ocasião do lançamento do livro O Baú da Ficção Nos tempos do Capitão Aza de André Monteiro no Iate Clube do Rio de Janeiro Nós queríamos criar um fã clube do Capitão Aza mas com autorização dele algo que fosse oficial E ele não só autorizou como até disse que nos ajudaria E foi assim que em julho daquele ano realizamos um evento do lançamento oficial do Fã Clube do Capitão Aza no Museu da Imagem e do Som com palestra e sessão de fotos e autógrafos do próprio Capitão Aza em pessoa Durante os anos seguintes fizemos inúmeras sessões de vídeo do programa do Aza para o público tínhamos uma boa atenção dos jornais do Rio de Janeiro os quais sempre cobriam os eventos fazendo várias matérias com a gente Também estivemos em programas de TV como Xuxa e Wagner Montes E sempre que podia o nosso querido Wilson Vianna ia ao fã clube palestrar e tirar muitas fotos com os fãs Ele era delegado aposentado da polícia civil e além de interpretar o Capitão Aza também atuou em 63 filmes O pequeno Sérgio ainda criança canta num evento do Capitão Aza Infelizmente no dia 3 de maio de 2003 Vianna faleceu aos 75 anos vítima de seu terceiro enfarte Ele se encontrava no Mato Grosso do Sul com seu filho e nora onde passava uma temporada Em 21

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  • Bigorna.net: Artigos: Chargista Solda é demitido por causa de uma charge
    Que tal Solda censura e neoliberalismo ou El presidente y los macaquitos Por Key Imaguire Jr Quando afirmo que há menos liberdade hoje do que no tempo da ditadura militar sempre há quem me chame de pessimista entre outros adjetivos bem mais pesados No entanto aí está o Caso Solda prá mostrar que tenho razão O que os militares faziam prendendo e arrebentando na expressão consagrada de um deles que já esqueci quem era agora se faz por procedimentos jurídicos e econômicos sacaneando quem ousa extrapolar da passividade generalizada com demissão Não lembro se o Solda foi censurado durante as quase três décadas de regime ditatorial para agora ser vitimado em pleno século XXI pela mais tosca e safada das pressões aquela que atinge o indivíduo em seu sustento Nos anos setenta Umberto Eco um dos professores da modernidade escreveu uma de suas muitas obras primas que abriram a cabeça do mundo para os fenômenos da contemporaneidade Em Obra Aberta ele assinala que as obras mais importantes da História da Arte são ambíguas em seu recado O sorriso da Gioconda um edifício de Mies van der Rohe um filme de Godard exemplos meus quem vê conhece assiste atribui à obra significados que não estão necessariamente na intenção do autor mas em grande parte variando de zero a cem por cento no repertório cultural nos valores do leitor Para além da excepcional qualidade do desenho inconfundível do Solda que o coloca entre os maiores cartunistas brasileiros de todos os tempos o cartum censurado contém ambigüidades como deve ser uma obra não fechada e não hermética E portanto na ótica de um pensador acima de qualquer suspeita como Eco tem a qualidade de permitir que os leitores vejam nela significados em que o próprio Solda não pensou nem poderia ter pensado visto

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  • Bigorna.net: Artigos: Nico Rosso e a Terrir
    adaptações literárias da Ebal até o universo marginal de Zé do Caixão Durante uma época em que havia mercado para muitos profissionais no ramo ele se tornou o exemplo a ser seguido com presença em todas as frentes Começou sua inserção nos quadrinhos brasileiros pouco depois de chegar aqui e os desenhou profissionalmente até os anos d 1980 Trabalhou com roteiros de Pedro Anísio R F Lucchetti Helena Fonseca Gedeone Malagola Antonio Martin Carlos da Cunha entre muitos outros Embora não tenha escrito a maioria das HQs que desenhou é certo que as terá realizado sempre num forte diálogo tanto com o roteirista como com o mundo em torno Sabia que estava no Brasil e por isso no conjunto da sua vasta produção há uma temática mais brasileira Mesmo nas histórias passadas na Europa o tom é bem diferente do produto norte americano Suas personagens são bem mais sensuais que as deles e as pessoas em geral parecem saídas de alguma cena de rua paulista Já nos anos 60 foi um dos primeiros a abrir os olhos para o imaginário macabro brasileiro Seu trabalho no gibi de Zé do Caixão na época em que os filmes deste eram populares já foi na esteira de uma presença nos gibis de terror dos quais participou com assiduidade Foi o principal desenhista de Drácula no nosso país e de lobisomem também Sem deixar de ter sido quem trouxe com Lucchetti com Antônio Martin com Carlos da Cunha a macumba para dentro das páginas de gibis Muitos exemplos em sua obra servem para sustentar essas idéias Decidimos prestar mais atenção contudo pela qualidade dos desenhos e pela do texto também uma coisa rara na época num produto muito típico dos anos 1960 ligado na agenda cultural e política da época Terrir Histórias de terror

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  • Bigorna.net: Artigos: Lash Larue, o Don Chicote
    própria em 1947 Ele que havia sido Cheyenne Kid em oito filmes anteriores tornou se o rei do chicote na película Law of the Lash Seguiu se Return of the Lash com o mesmo perfil entretanto em algum lugar no caminho o Kid transformou se em Cheyenne Davis Todos esses filmes foram produzidos por Jerry Thomas que tinha trabalhado na série de Eddie Dean e dirigidos por Ray Taylor A co estrela de LaRue era Al Fuzzy St John um dos Side Kicks ajudantes de heróis mais engraçados dos filmes de faroeste Na era silenciosa Fuzzy tinha feito filmes policiais na produtora Keystone e tinha obtido sucesso numa série própria de curtas metragens Também havia trabalhado com muitas estrelas do Western tais como Bob Steele Bob Custer Bill Cody Tom Tyier Rex Bell Fred Scott Lee Powell Buster Crabbe George Houston e Bob Livingstone Em 1948 os filmes de faroeste entraram em declínio e os orçamentos foram cortados em todos os estúdios A PRC entrou em processo de falência e seus donos tiveram que abandonar o negócio Mas LaRue continuou em outro estúdio Logo estaria de volta em uma série nova junto com Fuzzy para Western Adventure Productions WAP produzida por Ron Ormond e dirigida por Ray Taylor Surge o Don Chicote Nesta nova série LaRue tornou se Don Chicote e continuou representando o personagem pelo resto de sua vida Novos produtores J Francis White e Joy Houck entraram em 1949 Ron Ormond assumiu como diretor e provavelmente produziu um dos melhores filmes de Don Chicote King of the Bullwhip Os B Westerns eram notáveis pelas cenas de ação mas a série de Don Chicote pecava pela reprodução repetitiva de cenas de filmes anteriores com ângulos fotográficos redundantes e edição letárgica Cenas sempre parecidas repetiam se monotonamente Ainda assim King of the Bullwhip tinha mais ação que a maioria dos western B e certa criatividade que diferenciava a produção Por exemplo o bandido El Azote que também usava um chicote Ormond fez várias cenas de luta com chicotes entre herói e bandido Tais inventividades melhoraram bastante a qualidade das películas Somou se a isso o trabalho fotográfico que era incomum e bastante criativo Don Chicote firmou se como um herói do Oeste diferente e sem igual Infelizmente com os cortes no orçamento o diretor se viu obrigado a utilizar excessivamente cenas de películas anteriores Assim cenas de filmes de Eddie Dean como Wild Wets foram utilizados em Prairie Outlaws The Black Lash exibido em 1952 e principalmente na produção de 1948 Frontier Revenge Quando o diretor Ormond precisou fazer cenas novas em Black Lash teve de conseguir para o ator Jim Bannon uma camisa semelhante à utilizada em filmes anteriores Depois reutilizou as mesmas cenas em filmes posteriores sem creditar Bannon O último filme da série Don Chicote foi um pastiche de Outlaw Country de 1949 Com o título de The Frontier Phantom LaRue fazia papel duplo do herói e de seu irmão gêmeo que também apareceu nos quadrinhos O

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  • Bigorna.net: Artigos: John Constantine - O herói da contracultura
    manipulação é a especialidade do malandro beberrão A inserção do coadjuvante foi feita a pedido dos ilustradores da revista do Monstro do Pântano durante a década de 1980 John Totleben e Steve Bissete que pediram à Moore que desse um jeito de colocar alguém com as feições do cantor da banda The Police Sting nas páginas da revista O autor gostava de trabalhar com as sugestões de parceiros e fez a sugestão se encaixar dentro do contexto das histórias Oras por que não introduzir este ser amoral saído da classe trabalhadora inglesa repleto de charme e de amizades perigosas que transita pelas bordas do Universo DC resolvendo casos feito detetive Assim nas primeiras histórias é possível acompanhar John em uma revista que nem era dele metalinguagem irônica perfeita para o caráter aproveitador do personagem cruzando a América do Norte com uma trupe de freaks uma freira um motoqueiro um gênio debilóide e uma gótica depressiva se preparando para algo grande e reunindo outros personagens antigos alguns esquecidos e anteriores a década de 1940 pertencentes à ala mágica da editora como Dr Oculto Mister 10 o Vingador Fantasma e Zatara Passado punk Com o fim daquele arco de histórias John ainda frequentou outras aventuras do Monstro do Pântano sempre representando encrenca da grossa e endoidando o parceiro No entanto suas qualidades ímpares o garantiram título exclusivo nas mãos de Jamie Delano que assumiu a obra nas primeiras edições e construiu boa parte da mitologia e forma que predominam na série até hoje enredos essencialmente urbanos sobre um indivíduo que nunca deixa de flertar com o precipício constantemente no limiar da loucura e em luta com os demônios internos que o atormentam pelas atitudes e escolhas do passado Delano outro inglês foi bibliotecário e taxista Portanto fica fácil de entender como conseguia mesclar histórias com embasamento político e social com o clima de cidade grande ameaçadora e imperdoável Foi ele quem desenvolveu o passado conturbado de Constantine um jovem loiro nascido em Liverpool na época em que os Beatles extasiavam os continentes com suas franjinhas e terninhos idênticos Durante a juventude montou uma banda punk a Mucous Membrane e saiu pelo Reino Unido cantando e tendo os primeiros contatos com o lado underground da sociedade Assim começou a estabelecer a rede de pessoas exóticas que o auxiliam e criou a má fama de enganador Foi no final da década de 1970 que tentou exorcizar uma casa de shows em Newcastle invocando um demônio para acabar com outro e acabou perdendo a alma de uma garotinha no procedimento por arrogância e inexperiência A partir dali nada mais seria igual na vida dele Dois anos no manicômio esfriaram as coisas mas não seriam suficientes para mudar a natureza investigativa e atrevida do britânico Delano seguia a premissa que orientou as histórias sob a batuta de Moore usava acontecimentos sobrenaturais como ponto de partida para criticar comportamentos da sociedade anglo saxônica com narrativas poluídas e sufocantes que externavam o horror que a cidade por si

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  • Bigorna.net: Artigos: Os quadrinhos nacionais da Vecchi - Parte Final
    talentos da equipe que eu estava arregimentando Lotário deu carta branca para produzir um cowboy nacional nos moldes dos faroestes bonellianos O escolhido para desenhá lo foi Watson Portela um dos preferidos das revistas de terror que indicou seu irmão Wilde Portela para escrever os roteiros Esse personagem pode se dizer foi criado a oito mãos O nome foi criado por Lotário Chet foneticamente é Tex ao contrário Eu estabeleci as diretrizes da história três personagens sendo um galã um outro mais bronco e um adolescente Eles começariam se vingando de uma chacina e correriam o faroeste atrás de novas aventuras A partir dessa premissa Wilde criou os enredos das histórias e Watson o visual dos personagens A estratégia adotada foi lançar as aventuras inicialmente em capítulos em outra revista para ir acostumando os leitores Ken Parker hospedou seu colega durante algum tempo no ano de 1979 e em 1980 Chet ganhou seu título próprio Watson deu conta da produção das primeiras aventuras na época em que saíam como complemento na outra revista mas era lento demais para garantir a produção das oitenta páginas mensais da história Para revezar com ele foram chamados Eduardo Vetillo Ofeliano e Antonino Homobono Chet agradou em cheio e logo estava vendendo mais do que Ken Parker Além de Chet a Vecchi publicou ainda outro faroeste Chacal Os primeiros dezesseis números utilizaram o material da italiana Judas de Bonelli que tinha sido descontinuada Do 17 em diante o novo Chacal apresentou um personagem de produção nacional que também tinha a alcunha de Chacal mas na verdade se chamava Tony Carson um caçador de recompensas mercenário e sem escrúpulos O roteirista escolhido para tocar a série foi Antonio Ribeiro que vivia de escrever livros de bolso do gênero para as editoras Monterrey e Cedibra O nome Tony Carson foi emprestado de um pseudônimo com o qual ele assinava esses bolsilivros Os desenhos ficaram por conta de Antonino Homobono e Jordi Martinez E assim a produção nacional da Vecchi foi crescendo As HQs estrangeiras foram cedendo espaço para as nacionais e começaram séries recorrentes como o repórter alcoólatra Jonas Beltron os monstros do Hotel Nicanor Sinhá Preta Jesuíno Boamorte e outros A lista de nomes e autores é interminável e não dá para citar todos aqui Mas um destaque todo especial tem que ser dado para a saga da Família Benedito uma das campeãs de popularidade entre os leitores A Sina Bestial de Padre Benedito era uma história como outra qualquer Inicialmente terminaria por ali mesmo Benedito era filho de um incesto e para escapar da maldição de virar lobisomem foi colocado num seminário Mas não adiantou e virou um padre lobisomem que aprontou muitas inclusive estuprar uma freira antes de ser morto Era mais um dos roteiros que o criativo César Lobo que também era ilustrador mas escrevia histórias me entegava regularmente A história foi entregue para o pernambucano Zenival Ferraz desenhar A história foi programada como história principal de uma das edições da Sobrenatural Um

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  • Bigorna.net: Artigos: Os quadrinhos da Vecchi
    que ele fosse me chamar Mas um mês depois ele realmente ligou para a minha casa perguntando se eu estava animado e podia começar a trabalhar Fui para uma reunião complementar para tratar de salário e no dia Primeiro de Novembro de 1973 lá estava eu arregaçando as mangas no meu novo emprego Nem sala eu tinha ficava numa pequena mesa no corredor ao lado da sala do Lotário Agora que eu era da casa ele me mostrou os planos Tinha adquirido uma penca de personagens e ia lançar um monte de revistas de uma vez Pegou praticamente tudo o que estava disponível no mercado Meu salário inicial era baixo um pouco mais alto que o da Ebal mas ele me disse que à medida que fossem saindo mais revistas ele iria me aumentando E de fato cumpriu a promessa Os primeiro lançamento seria Eureka uma revista nos moldes das Linus e Eureka italianas aproveitando tiras diárias e outras histórias estrangeiras O formato já tinha sido testado no Brasil pela Grilo da editora Espaço Tempo e mais tarde pela Patota da editora Artenova que fizeram certo sucesso publicando personagens considerados de vanguarda como Peanuts Mago de Id e outras Grilo fora fechada por causa da ditadura militar que acabou com os jornais políticos que a mesma editora também publicava Álvaro Pacheco da Artenova comprou esses personagens e lançou com sucesso a Patota Quando Lotário foi comprar os personagens para a Eureka poucos estavam disponíveis e ele pegou a raspa do tacho essa foi uma das razões do fracasso da revista O povo não queria mais saber de personagens já meio ultrapassados como Pafúncio e Pinduca que se misturavam com outras mais modernas como Versus de Jack Whol e outros personagens meio inexpressivos ou pouco conhecidos Do que publiquei na revista apenas os cartuns de Jules Feiffer estavam no nível da Linus original italiana O mix em si era por demais irregular e o preço 5 cruzeiros não cabia muito no bolso de qualquer leitor daquela época Infelizmente Eureka teve um problema atrás do outro Primeiro descobriram que o título já estava registado era uma revista de palavras cruzadas lançada por uma pequena editora Compraram o título do proprietário Depois houve um problema com as piadas de Feiffer da primeira edição Como era a única coisa realmente de impacto investi tudo no Feiffer Sugeri ao Lotário fazer um pôster com uma das piadas relativa ao caso Watergate que estava despontando na época Nixon era revistado por um policial e estava roubando até os talheres da casa branca e jogava a culpa no vice Spiro Agnew Se tivesse saído desse jeito talvez Eureka tivesse decolado Mas quando o então diretor de publicidade da editora viu a amostra já impressa foi apavorado na sala do Lotário dizendo que era muito arriscado publicar um material desses Que os militares não iam gostar nada porque aquilo era uma ofensa ao presidente de um país amigo blá blá blá e o resultado foi que a tiragem

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